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A
FORÇA DE DEUS PARA ESTA GERAÇÃO |
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“Agora
que estou velho, de cabelos brancos, não me abandones, Fico
contente em ter sido convidado a falar sobre o passado e o futuro daquilo
que veio a ser chamado de “Renovação Carismática”. Eu vi o começo
desta reação ao Espírito Santo nas Igrejas históricas e sinto a
necessidade de falar a “esta geração” sobre como isto era no início. O princípio A
Enciclopédia Britânica (Livro do Ano 1973) diz que pode ser dito que a
Renovação Carismática começou quando eu contei ao povo da Paróquia de
São Marcos, em Van Nuys,
Califórnia, sobre a minha experiência. Eu não era, absolutamente, o
primeiro pároco “conservador” a receber o batismo no Espírito Santo,
mas, aparentemente, fui o primeiro a permitir que isso fosse conhecido
abertamente pela minha congregação, na qual muitos acolheram
entusiasticamente o que eu tinha para compartilhar (uso a expressão
“batismo no Espírito Santo” neste artigo porque é a que me parece ter
a melhor autoridade bíblica. Este foi o termo usado pelo próprio Senhor,
em At 1.5, e o qual Pedro cita em At 11.16. Também gosto de usar o termo:
“a liberdade do Espírito Santo”). Alguns
líderes ficaram assustados, mas não posso culpá-los, já que tudo era
muito novo. Quando ficou claro que íamos entrar em conflito sobre o
assunto, renunciei à condição de pároco daquela comunidade de 2.600
membros e fui para Seattle, sob o convite do Revmo. William Fisher Lewis,
antigo bispo de Olympia, para me tornar o vigário da Igreja de São
Lucas, Ballard, a qual estava pronta para ser fechada, sem esperança.
O povo daquela pequena paróquia aceitou o que eu tinha para compartilhar e
então foi a São Lucas que se tornou a maior demonstração da obra do Espírito
Santo em uma congregação conservadora (a história completa é contada em
detalhes em meu livro: Nine O’clock
In the Morning) Bispo
Lewis não apenas me encorajou a “trazer o fogo”, mas ele acompanhou o
que aconteceu em São Lucas com incansável interesse e apoio. Quase imediatamente
após a minha chegada a Seattle, ele me convidou a falar ao clero e pouco
depois uns doze sacerdotes locais foram batizados no Espírito. O
bispo também começou a colecionar declarações escritas das pessoas de São
Lucas sobre suas experiências e estava planejando que eu me unisse a
ele para fazer uma apresentação à Casa dos Bispos. Infelizmente, esses
planos foram interrompidos por sua morte, em 1964. William Fisher Lewis foi
um verdadeiro pai em Deus e uma forte fonte de encorajamento para a Paróquia
de São
Lucas. Através dos anos que se seguiram, recebi constante suporte e
encorajamento do meu bispo. Pentecostal
e Carismático À
medida que as boas novas começaram a se espalhar, a palavra “carismáticos”
passou a ser usada para se referir aos membros de denominações
conservadoras que embora estivessem recebendo a liberdade do Espírito Santo
continuavam em suas respectivas tradições. Muitos
dos antigos pentecostais aceitaram os “carismáticos” com alegria, mas
alguns ficaram apreensivos porque já haviam desprezado as Igrejas históricas
como “babilônicas” (freqüentemente com um bom motivo). Eles pensavam
que se o que estava acontecendo era real, nós “sairíamos” como eles ou
seus ancestrais fizeram. Era difícil para eles perceber que seus
precursores tinham sido freqüentemente forçados a deixar suas igrejas,
enquanto que agora as pessoas estavam tendo permissão para ficar e contar a
outros. Uma
complicação adicional surgiu agora. Os pentecostais que aceitaram a
realidade da renovação carismática nas Igrejas históricas começaram a
se distinguir de outros pentecostais tradicionais denominando-se “carismáticos”,
indicando que eles estavam abertos a pessoas dos grupos históricos que
haviam sido tocados pela renovação. Infelizmente, a idéia que
imediatamente surgiu foi a de que se você fosse “carismático”,
precisava se unir a uma Igreja “carismática”. Alguns foram tirados da
renovação carismática nas Igrejas históricas para se unir ao que
realmente eram Igrejas pentecostais sob um novo nome: “carismático”. Mais
desentendimento surgiu da idéia de que “carismático” se referia a um
estilo particular de adoração, embora não seja assim. Uma congregação não
é “carismática” porque ela descarta o hinário e canta corinhos
projetados na parede ou é exposta à monotonia do “rock
gospel”, nem é “carismática” porque as pessoas trazem mensagens
em línguas com interpretação ou profecia no domingo de manhã, ou erguem
suas mãos em louvor. Essas
coisas podem ser boas e válidas, mas não fazem uma comunidade carismática.
Certamente, enquanto as pessoas recebem liberdade no Espírito, elas adorarão
mais alegre e livremente, mas em São
Lucas, por exemplo, decorreram mais ou menos oito anos desde o começo
da renovação, antes que houvesse qualquer coisa no culto de domingo de
manhã que hoje seria rotulado de “carismático”. Uma comunidade carismática
é aquela na qual os membros individualmente são batizados no Espírito
Santo e estão diariamente orando no Espírito (no idioma ou “língua”
dada pelo Espírito Santo) em suas orações pessoais. Nossa
própria maneira de adoração Nosso
Senhor, o Espírito Santo, parece desejar mostrar às pessoas as belezas e
os valores primeiramente em seus próprios costumes e então voltar seus
olhos para compreender os dos outros. Em São
Lucas, no início, nós primeiro nos tornamos mais admiradores de
nossa própria maneira de adoração, enquanto o Espírito tocava a vida das
pessoas mais profunda e alegremente. Logo
percebemos ser necessário ter três celebrações da eucaristia a cada
domingo de manhã e então adicionamos um culto vespertino, porque muitos
desejavam vir à nossa pequena igreja, que naquela época tinha lugar para
menos de 200 pessoas sentadas. Ninguém precisava ser incitado a vir; as
pessoas não faltariam porque elas podiam sentir a presença do Senhor lá!
Alguns vinham a todos os quatro cultos todo domingo, porque não podiam
obter o suficiente da comunhão no Espírito! Lembre-se,
esse não era um grupo especializado de super-espirituais. As primeiras
pessoas a responder ao Espírito em São
Lucas foram episcopais [anglicanos] tradicionais com pouca noção de
religião reavivalista ou de “reunião de oração”. Eram pessoas sérias
da Igreja, que estavam tentando deslanchar sua pequena comunidade. Nós não
tínhamos quase nenhum profissional ou empresário na congregação no início;
mas um grupo sério de americanos de “classe operária”. No início,
eles eram majoritariamente da meia-idade, com alguns idosos, embora os mais
velhos estivessem entre os mais ativos! Havia quase o mesmo tanto de homens
quanto de mulheres e muitos jovens acompanharam suas famílias e eles próprios
entraram na renovação espiritual. Nós
sabíamos que nos domingos estávamos “pescando”, não nadando; a idéia
era pescar o peixe, não assustá-lo! Certo domingo, na eucaristia das onze
da manhã, um jovem casal católico romano nos visitou. Na saída, o marido
comentou: “Foi um culto agradável, Padre Bennett, mas eu fiquei um pouco
desapontado porque nada aconteceu!”. “Oh!”, respondi, “Você se
refere a ninguém ter falado em línguas ou algo assim?”. Ele sorriu e
assentiu, mas sua esposa interrompeu: “Mas eu nunca participei de uma
missa na qual sentisse tanto amor entre as pessoas” ela disse. “Ah!”,
falei, “Isso é o que queríamos que vocês sentissem!”. A
nossa música tornou-se notável para uma pequena comunidade. Certo domingo,
o maestro de uma grande comunidade inglesa nos visitou e a congregação
estava cantando um cântico a capella. Ele saiu sacudindo a cabeça. “Não é possível
pessoas inexperientes cantarem esse tipo de música sem acompanhamento”,
disse. Mas elas estavam fazendo isso! Alguns
anos atrás, minha esposa, Rita, e eu lideramos um seminário na abençoada
Igreja Anglicana da Trindade, em Nassau,
uma grande comunidade, com muitos profissionais. A música e a adoração
para os encontros nos dias de semana eram definitivamente vigorosas e
informais, com um sabor caribenho (divertido, também!) e havia dons do Espírito
– línguas, interpretação, profecia. Mas
no domingo de manhã participamos de uma linda eucaristia da “igreja
superior” e o mesmo grupo que havia liderado os cultos livres durante a
semana, apareceu uniformizado como coral. O homem que tinha tocado tão
agilmente o teclado durante a semana era o líder do coro e o organista, um
músico excelente e sensível. Aquilo era carismático! Oração,
louvor e informação Por
muitos anos, em São Lucas, mantivemos um encontro à noite nas terças-feiras
para oração e louvor, para o qual vinham pessoas de toda a região e de
muitas denominações. No momento, nós éramos livres para seguir o Livro
de Oração Comum, o qual é, afinal, uma grande compilação de louvor
atuante; bater palmas em júbilo e cantar com as mãos levantadas a Deus. “Batam
palmas, vocês, todos os povos!” (Salmos 47:1); “Seja
o levantar das minhas mãos como a oferta da tarde” (Salmos 141:2)! Naquelas
noites, as pessoas eram livres para manifestar dons vocais do Espírito
Santo, trazer palavras do Senhor em línguas e interpretação ou profecia,
compartilhar uns com os outros o que Jesus estava realizando em suas vidas.
Nós cantávamos; e cantávamos música da Igreja. As pessoas iam de um coro
vibrante com fortes batidas de pé ao cântico Gloria
in excelsis quase sem perder o passo, com igual fervor e bênção, e
sem acompanhamento. Era “decentemente e com ordem”, mas nos divertíamos!
A reunião continuava por três horas ou mais, de modo que viemos a chamar
1:30 da manhã de “Madrugada do Espírito Santo!” Nós
mantínhamos um “encontro de informação” toda sexta-feira à noite. Em
tal ocasião, se estivesse na cidade, eu compartilhava o meu testemunho e
dava alguma instrução. Então, após mais preparação, nós orávamos com
aqueles que desejavam receber o batismo no Espírito Santo. Novamente, esse
encontro era totalmente “não sectário”. Tínhamos pessoas de toda a
região e de muitas denominações. Não era incomum ter uma fileira de irmãs
católicas romanas e chegamos a ter a presença de um bispo ortodoxo,
juntamente com ministros e pessoas de muitas outras denominações. Algumas
vezes, toda uma família recebia a liberdade espiritual na mesma noite; até
três gerações em uma mesma família: avós, pais e filhos, todos recebiam
o batismo no Espírito Santo e iam para casa exultantes. Se eu estivesse
ausente, os leigos conduziam o encontro com grande êxito! A
freqüência aumentava no verão e conseqüentemente as nossas entradas. Não
havia “baixa de verão” em São Lucas. Se as pessoas estavam na cidade,
vinham à Igreja. Por quê? Porque era o maior prazer que elas tinham a
semana toda! As pessoas vinham à Igreja porque queriam vir. Não demorou
muito para que tivéssemos cerca de duas mil pessoas passando por nossa paróquia
no período de uma única semana, embora a pequena construção suportasse
apenas cento e cinqüenta pessoas sentadas e o subsolo, que servia como um
salão da paróquia, mais ou menos duzentas. A paróquia tornou-se o centro
físico da vida das pessoas porque o amor de Deus estava lá e elas sentiam
isso. Dentro
de seis anos, tínhamos nos tornado uma paróquia auto-suficiente e uma das
mais fortes no noroeste. Comecei a receber consultas de todo o país e de várias
partes do mundo. Um homem que estava nos visitando disse: “Tenho ouvido
falar desta igreja em Londres, Tókio, Honolulu, Moscou, Xangai e Rio de
Janeiro. Eu vim ver com meus próprios olhos o que está acontecendo”! No
meio de tudo isto, as pessoas contavam os milagres que estavam acontecendo
em suas vidas. Em um encontro no lar, algumas vezes, levava duas horas para
que dez ou doze pessoas compartilhassem o que tinha acontecido com elas
apenas naquela semana quando o Senhor suprira suas necessidades. Quando
tínhamos um evento social ou uma festa como, por exemplo, o Natal, embora
supostamente não estivéssemos ali para ter um encontro de oração, as
pessoas logo estavam todas falando entusiasticamente umas com as outras
sobre as coisas que Jesus tinha feito ou estava fazendo. Se eu tentasse
conduzir alguma cantoria “divertida”, elas se uniriam a mim por algum
tempo com canções do tipo “Down by
the Old Mill Stream”, mas era tedioso e logo alguém diria: “Padre
Bennett, não podemos cantar algo sobre o Senhor?” Eu
sentia que estava vendo como a Igreja primitiva era e como a Igreja ainda
deveria ser. De
volta aos seus próprios rebanhos Nós
incentivamos as pessoas que nos visitaram a não deixarem suas próprias
igrejas, mas voltarem e compartilharem com elas o que estava acontecendo e,
como resultado, os pastores da região passaram a confiar em nós e muitos
se interessaram pelo que estávamos fazendo. Um grande número deles recebeu
o batismo no Espírito Santo e disso surgiu o “Presbitério Carismático”,
um grupo informal de mais ou menos cento e cinqüenta ministros e
sacerdotes, que nunca se organizaram oficialmente ou elegeram alguém a
cargo algum, mas desfrutaram grande comunhão no Senhor. Ministros
batistas, pastores da Assembléia de Deus, sacerdotes católicos romanos,
sacerdotes episcopais, pastores luteranos, homens de associações
independentes; não tomamos decisões a respeito de doutrina ou prática,
mas ouvimos uns aos outros e passamos a conhecer e admirar um ao outro.
Descobrimos que podíamos orar e louvar a Deus juntos, porque todos estávamos
apreciando suas bênçãos. Ocasionalmente, patrocinamos conferências
bem-sucedidas e de grande alcance. Porque
em São Lucas, não nos envolvemos em “roubo de ovelhas”, mas
enviamos as pessoas de volta para suas próprias igrejas. A nossa congregação
não cresceu rapidamente em tamanho, mas cresceu em força. Não tiramos
ofertas nos encontros públicos às terças e sextas, mas encorajamos o
nosso próprio povo a entregar o dízimo. Paramos de fazer orçamentos e então
tentar responder a eles e paramos de pedir dinheiro a quem não vinha à paróquia.
Depois do primeiro ano, nós até mesmo interrompemos o habitual “Angariar
de Cada Membro”. Embora
fosse um privilégio ser o vigário e mais tarde o reitor de São
Lucas por vinte e um anos, todo esse crescimento não era realização
minha, mas era obra do Espírito Santo, algo compartilhado com as pessoas.
Eu não me esquecerei de um domingo de manhã, logo depois de um culto,
quando alguns de meus amigos disseram: “Você parece cansado! Ajoelhe-se
aqui; nós vamos orar por você!”, o que então fizeram. Descobri que ao
invés de estar empurrando um carro enguiçado, eu estava dirigindo um
possante e que eu podia receber ministração das pessoas, assim como elas
de mim. Meu
próprio começo Eu
havia tido uma vívida experiência ao receber o Senhor Jesus como meu
Salvador aos onze anos de idade. Descobri que ele estava vivo e era
incompreensivelmente maravilhoso, mas desde então gastei muito tempo
procurando por algo mais. Tentei encontrar novamente aquele “primeiro bom
êxtase casual” de minha conversão. Às vezes, sentia que o Senhor estava
mesmo comigo, mas a minha percepção a respeito dele era limitada, embora
minha crença intelectual fosse forte. Você,
que tem sido educado nesta época de conhecimento do Espírito Santo, não
pode imaginar quão vazios éramos nós nessa altura dos anos 40 e 50 e até
antes. Kenneth Scott Latourette em sua magistral narrativa de dois volumes
sobre a Igreja cristã, que abrange a história até 1976, nem mesmo
menciona o ressurgimento pentecostal! Entretanto, sem dúvida, o crescimento
do movimento pentecostal é o fenômeno mais notável da história da Igreja
moderna. Em
meu pentecostes pessoal, a alegria e a glória de Deus vieram sobre mim.
Reconheci isto como o mesmo tipo de experiência que eu havia tido quando
aceitei Jesus e quando eu experimentava sua presença, ocasionalmente; era o
mesmo tipo de coisa, só que muito mais vibrante e não esmoreceu ou sumiu. Não
parecia importar se eu estava acordado ou dormindo, ou o que estava
acontecendo; a nova percepção de Deus ficou comigo. Era uma incompreensível
nova dimensão em minha vida espiritual. Eu tinha estado tentando muito me
tornar mais consciente de Deus, mas agora, subitamente, ele estava comigo
sem eu ter que buscá-lo. Como a Bíblia diz: ele me buscou e me encontrou e
eu sabia! Eu
não tive precedentes para esta experiência. Não foi a concretização de
qualquer expectativa que houvesse sido implantada em minha mente. Eu nunca
tinha participado de uma Igreja de natureza pentecostal e não tinha noção
do que eles ensinavam ou criam. Além do mais, não recebi o batismo no Espírito
em nenhum tipo de contexto de Igreja, mas no cômodo da frente de uma casa
particular, orando com dois leigos episcopais. Precedentes
Anglicanos É
verdade, eu tinha feito muita pesquisa ao longo de alguns meses, enquanto
estava examinando tudo isso. Reli o segundo Rito de Instrução do Livro de
Oração Comum de 1928. Na página 291, o tema é extremamente esclarecido:
“A Igreja provê a Imposição de Mãos, ou Confirmação, na qual, depois
de renovar as promessas e os votos do meu Batismo, e declarar minha lealdade
e devoção a Cristo como meu Mestre, eu recebo os dons fortalecedores do
Espírito Santo”. Eu
também olhei um livrinho que ainda permanece em muitas prateleiras do
clero: Doutrina da Igreja da Inglaterra. É um registro de 1938 sobre a análise
feita por uma comissão escolhida pelos arcebispos de Cantuária
e York que recolheu as reais crenças declaradas pela Igreja da
Inglaterra naquela época. Na
página 93, pode-se ler: “O envolvimento com o Espírito Santo é descrito
no Novo Testamento como a marca distinta dos cristãos, que os separou do
mundo; no cristianismo dos tempos apostólicos a experiência descrita como
‘recebimento do Espírito’ fica na vanguarda da vida cristã,
simultaneamente como o segredo de sua alegria e poder arrebatadores e como
fonte daquela vitória da fé que podia vencer o mundo”. Eu ainda fico
maravilhado com a precisão desta declaração: “alegria e poder
arrebatadores... vitória da fé”, mas isto é o que eu havia perdido em
minha própria experiência cristã e que recebi quando fui batizado no Espírito. Vale
a pena notar, a propósito, que esta é uma declaração anglicana. Então,
a desculpa que alguns evangélicos usam de que “essas coisas eram apenas
para os tempos apostólicos” não se aplicam, já que os anglicanos crêem
que o ministério apostólico continua nos dias de hoje! Os amigos que
testemunharam para mim simplesmente me contaram fielmente o que lhes havia
acontecido e então oraram comigo. Depois disso, não tive muito mais
contato com eles. Preocupa-me
que tantos hoje em dia parecem não se apossar, ou talvez não tenham nem
mesmo tido a chance de compreender o que aconteceu naquela época e pode
continuar a acontecer hoje quando as pessoas recebem a mesma experiência
pentecostal. Eu creio que o batismo no Espírito Santo seja o sistema de
direção pelo qual o poder do Espírito se move do motor até as rodas. O
evangelismo liga o motor, mas sem o sistema de direção o povo de Deus não
vai muito longe e logo começa a perguntar sobre quando Jesus virá e o
tirará de um mundo com o qual está obviamente despreparado para lidar! O
Fervor da Igreja Primitiva Que
essa capacitação pentecostal é o propósito da confirmação, é
esclarecido pelo fato de que as igrejas que têm praticado a confirmação
durante anos, especialmente os anglicanos, os romanos e os luteranos, são
todos orientados para que a mesma Escritura, Atos 8.14-17, seja lida na
organização da cerimônia. Ela
conta claramente como Pedro e João oraram pelos samaritanos para que
recebessem o Espírito Santo, após a conversão e o batismo deles em água,
por meio de Filipe, o evangelista. Jesus fez do recebimento do batismo no
Espírito uma obrigação; e por uma boa razão, já que é isso que, através
da pessoa do crente, torna o poder de Deus disponível ao mundo necessitado. Naqueles
primeiros anos, experimentamos o que era ser “cristãos primitivos”,
tanto no entusiasmo de descobrir quão real tudo isto era, quanto em
descobrir quão rapidamente alguém podia se tornar odiado! Descobrimos por
nós mesmos por que as pessoas do primeiro século estavam preparadas para
arriscar suas vidas a fim de pertencer à sociedade de Jesus de Nazaré.
Pode ser que nenhum de nós tenha literalmente arriscado sua vida, mas
arriscamos nossas reputações, nossos trabalhos, nossos amigos. Eu vi a
maravilhosa comunhão e o amor com que as pessoas eram atraídas depois de
terem sido libertas no Espírito. Logo
descobri, no entanto, que havia mais em mim, assim como ainda há, que
poderia saciar minha nova percepção de nosso Senhor, o Espírito Santo.
Ele nunca nos abandona, mas descobri que podia perder minha consciência
dele se não seguisse sua liderança. Durante
estes últimos trinta anos, tenho aprendido como continuar a responder ao
Espírito Santo em mim, para que sua alegria, seu poder e sua liberdade
possam continuar a fluir de mim e em mim. Certamente tenho falhado mais do
que sido bem-sucedido, mas o Senhor é paciente. O maior desejo da minha
vida ainda é desfrutar mais do que conheci no início. Então,
olhando para trás, minha preocupação ainda é manter aquela primeira
chama acesa. Não perder meu primeiro amor. Freqüentemente, tenho querido
chorar com o salmista: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.
No entanto, tenho reconhecido e aprendido que ele não me desampara. Sou
sempre eu que o abandono ou, no mínimo, torno meu ambiente repugnante e
insustentável para ele, de modo que ele tem que se retirar para as
profundezas do meu espírito, onde minha alma não está ciente dele por um
tempo. Têm
sido três décadas difíceis, mas eu não voltaria atrás no tempo quando
ainda não tinha sido batizado no Espírito Santo por nada no céu ou na
terra. Não posso imaginar um pesadelo que fosse mais devastador do que
perder esta consciência da realidade de Deus. A
perspectiva E
sobre considerar o futuro, a perspectiva? Hoje, ouço que o movimento carismático
está esmorecendo. Alguns dizem que ambos os movimentos, pentecostal e
carismático, passaram sua plenitude e estão agora desvanecendo para serem
substituídos por uma “terceira onda” do Espírito, a qual, entretanto,
nega que haja alguma experiência de um batismo no Espírito Santo subseqüente
à salvação, mas que tudo acontece quando nós aceitamos a Jesus.
Sustenta-se que não é necessário falar em línguas para ser batizado no
Espírito. Qualquer
uma dessas linhas de pensamento demonstra que seus defensores não
compreenderam o que foi esta renovação pentecostal ou carismática e do
que se trata. Isso geralmente ocorre, e principalmente, porque as próprias
pessoas não receberam o batismo no Espírito Santo e então são irmãos e
irmãs simpáticos e bem intencionados, comentando a respeito de algo de que
não têm participado. Muitos
têm a impressão de que a renovação carismática é simplesmente um entre
muitos programas para fortalecer a Igreja, algo como o movimento do grupo de
Oxford de sessenta anos atrás, ou como o movimento de cursilho, hoje. Essas
coisas foram e são boas, mas a renovação carismática não é dessa
natureza. Não é uma escolha dentre muitas. É a renovação da experiência
do Pentecostes, quando as pessoas respondem às instruções de Jesus Cristo
a todos os seus seguidores de que têm que ser capacitados antes de ir ao
mundo com as boas novas. A
renovação carismática não é reavivamento evangélico, embora mais do
que outra coisa ela tenha preenchido o atual interesse no evangelismo. É
muito importante que vejamos a diferença entre reavivamentos, que são
ondas esporádicas e transitórias de resposta a Deus, inegavelmente
maravilhosas quando estão ocorrendo, e esta renovação universal da experiência
de Pentecostes, que tem permanecido com força crescente por quase cem anos. Este
é o rompimento do Espírito Santo da prisão religiosa na qual ele tem
estado confinado no curso da maior parte da história cristã, de modo que
possa começar a fazer dos cristãos aquilo que eles têm que ser: centros
de poder e alegria para refrigério e cura do mundo. O
evangelismo é a oferta inicial e a proclamação do perdão dos pecados
através de Jesus Cristo e o recebimento do novo nascimento no Espírito
Santo. Depois disso ter acontecido, Jesus nos ordena a receber a liberdade e
o poder do Espírito, liberar o Espírito Santo que veio habitar em nós, de
modo que ele possa nos abençoar e trabalhar através de nós (At 1.4). Nós
podemos estar tão próximos de ver essa verdade e ainda estar tão
perigosamente distantes. O Espírito Santo vem habitar em nós quando
recebemos Jesus como Salvador. Isto é absolutamente verdadeiro. Mas não
necessariamente o recebemos, isto é, fazemo-lo bem-vindo e lhe permitimos
governar nossas vidas. Através
do batismo no Espírito Santo, o Espírito de Deus tem permissão para
expandir sua influência sobre nossa vida exterior; nossa vontade, nosso
intelecto e emoções e nossos corpos físicos. Naturalmente, ele começa
com a nossa fala e começa a disciplinar o membro desobediente e o torna útil
para nosso Senhor o Espírito, de modo que pode nos dar palavras para
expressar adequadamente nosso louvor e amor a Deus “com gemidos impossíveis
de serem expressos por meio de palavras” (Romanos 8.26 KJ). Então,
podemos orar e interceder por nós mesmos e por outros em palavras que
expressam precisamente a vontade de Deus. Essa disciplina da língua também
torna possível a Deus falar através de nós ao seu povo, não apenas em
pronunciamentos proféticos, mas em dons de línguas que são então
compreendidas através do dom de interpretação. A
Igreja tem que ser carismática Eu
não mudei minhas vitais convicções sobre tudo isso. Ainda digo as mesmas
coisas que dizia trinta anos atrás, embora, espero, com muito mais
compreensão do que isso tudo significa. O
que está acontecendo com as pessoas hoje quando recebem a liberdade do Espírito
é semelhante ao que ocorria no início, exceto que agora nós compreendemos
muito mais a respeito. Sabemos, também, que isto ocorre quando peculiaridades
e problemas de nossa alma, quer dizer, nossa natureza psicológica, começam
a se mostrar, assim como quando um carro é tirado da estrada em alta velocidade
e as falhas no mecanismo do motor aparecem, diferentemente do que ocorria quando
o carro era conduzido à mercearia apenas uma vez ao dia. Isso
tem levado a uma atenção crescente na necessidade de oração específica
para a cura da alma, da natureza psicológica, de modo que a vida do Espírito
seja capaz de fluir em nós e através de nós sem barreiras. A
Igreja não é, principalmente, uma instituição de oração ou ensino. Ela
tem que ser carismática. Ela deve manifestar os dons e o fruto do Espírito,
pois eles são os sinais contínuos de que Jesus está vivo e pronto para abençoar
as pessoas agora! As pessoas estão cansadas de ouvir falar sobre religião,
seja por intelectuais semi-crentes, ou fundamentalistas arrogantes, e estão
especialmente cansadas de cristãos mal-humorados que condenam tudo e todos,
inclusive uns aos outros (e isso inclui os assim chamados “liberais” que
usam interesses sociais para colocar as pessoas sob condenação). Mas
se as pessoas virem a glória do Espírito que habita em seus amigos e vizinhos
e experimentarem seu fruto e seus dons derramando-se do povo de Deus para curar-lhes
o corpo, a mente e o espírito, elas serão atraídas ao amor de Jesus e certamente
receberão sua cura completa. Jesus
fez boas obras, curas e libertação e isso foi o que demonstrou ao povo que
o Reino estava “próximo”, isto é, bem aqui e agora. Ele nos diz para fazermos
o mesmo. Não é diferente hoje. Se as pessoas virem Jesus realizando essas
coisas através de seus seguidores, como poderão recusar-se a aceitá-lo? O
Poder do Espírito Santo O
evangelismo traz as pessoas para receber Jesus e então o Espírito Santo
pode vir e habitar nelas. O batismo no Espírito Santo é deixar o poder do
Espírito Santo fluir, para abençoar primeiramente o próprio indivíduo e
então o mundo à sua volta. Quando
foi desafiado pelos outros apóstolos e irmãos porque havia ministrado ao
centurião romano, Cornélio, e sua família, Pedro respondeu: “Assim
que comecei a pregar, o Espírito, num instante, sobreveio a eles da mesma
maneira como veio sobre nós no princípio. E naquele momento lembrei-me do
que o Senhor me havia dito: João, de fato, batizou em água, no entanto, vós
sereis batizados com o Espírito Santo! Portanto, se Deus lhes concedeu o
mesmo Dom que dera igualmente a nós, ao cremos no Senhor Jesus Cristo, quem
era eu, para pensar em contrariar a Deus?” (At 11:15-17). É
isto o que Jesus prometeu no princípio. Que não sejamos encontrados entre
aqueles que resistem a Deus, mas entre os que permanecem com Deus, de modo
que esta grande resposta ao amor de Deus e à graça do Espírito Santo
possa continuar irrestrita em nossos dias. Renovação Carismática
Anglicana Anglicanos livres, a serviço do povo de Deus |