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IGREJA
EPISCOPAL Conclamação
de Chicago (EUA):
Prólogo
Em cada época, o Espírito Santo chama a Igreja a examinar
a sua fé na revelação de Deus na Escritura. Reconhecemos
com gratidão a bênção de Deus através do ressurgimento evangélico
na Igreja. Todavia, a cada época de crescimento, devemos estar
alerta para as nossas fraquezas. Entendemos que hoje os evangélicos
estão impossibilitados de alcançar uma completa maturidade, como
consequência do reducionismo de sua fé histórica. Há uma
necessidade de refletir na substância da fé bíblica e histórica
e de recuperar a totalidade de sua herança. Sem pretender
contemplar todas as nossas necessidades, identificamos oito temas
nos quais, nós cristãos evangélicos, devemos fazer cuidadosas
considerações teológicas: Um apelo à continuidade das raízes históricas
Confessamos que frequentemente temos nos esvaziado das
abundantes riquezas da nossa herança cristã, fruto de uma
postura na qual acredita-se que a obra do Espírito Santo e o
testemunho das Escrituras estão desconectados com o passado.
Agindo assim, tornamo-nos teologicamente rasos, espiritualmente
fracos e ao mesmo tempo encobrimos o que Deus fez aos que nos
antecederam na fé, valorizando a nossa cultura em detrimento da
obra divina.
Assim, conclamamos os evangélicos a uma redescoberta da
nossa completa herança cristã. Através da história da Igreja
existe um impulso evangélico para proclamar a imerecida graça de
Deus e a reforma da Igreja de acordo com as Escrituras.
Este impulso aparece nas doutrinas dos concílios ecumênicos,
na piedade dos pais da Igreja, na teologia agostiniana da graça,
no zelo dos reformadores monásticos, na devoção dos místicos e
na integridade intelectual dos humanistas cristãos. Ela floresce
na fidelidade bíblica dos reformadores protestantes, continua nos
esforços dos puritanos e pietistas para complementar e aperfeiçoar
a Reforma; é reafirmada nos esforços dos movimentos avivalistas
dos séculos XVIII e XIX que uniram luteranos, reformados,
wesleyanos e outros evangélicos, no esforço ecumênico para
renovar a Igreja e estender sua missão na proclamação e na
demonstração social do Evangelho. Um apelo à fidelidade bíblica
Lamentamos nossa tendência para a interpretação
individualista da Bíblia. Isto corta pela raiz o caráter
objetivo da revelação bíblica e nega a orientação do Espírito
Santo no pensamento teológico dos antigos.
Afirmamos que as Escrituras são a infalível Palavra de
Deus, a base da autoridade da Igreja. Afirmamos que Deus usa as
Escrituras para julgar e purificar seu corpo. A Igreja iluminada e
guiada pelo Espírito Santo deve interpretar, proclamar e viver as
Escrituras. Um apelo à identidade credal
Lamentamos os dois extremos: de um lado uma Igreja credal
que somente recita uma fé herdada do passado; e de outro, uma Igreja
de credos que adoece num vazio doutrinal. Confessamos que, como
evangélicos, não estamos imunes a estes defeitos.
Afirmamos a necessidade, no tempo atual, de uma Igreja que
confesse, que dê testemunho de sua fé ao mundo, mesmo sob
perseguição. Em todos os tempos a Igreja deve atestar sua fé
contra heresias e paganismo. O que é necessário é uma vibrante
confissão exclusiva e inclusiva, cujo objetivo é a purificação
da fé e da prática. A autoridade confessional é limitada e
derivada da autoridade das Escrituras. A Igreja necessita
expressar sua fé, sem abdicar das verdades aprendidas no passado.
Precisamos articular o nosso testemunho contra as idolatrias e as
falsas ideologias de nossos dias. Um apelo à salvação holística
Lamentamos a tendência dos evangélicos para entender a
salvação unicamente como individual e espiritual, ignorando as
necessidades físicas do mundo e os aspectos seculares da salvação
de Deus na história.
Incitamos os evangélicos a
resgatar a visão holística da salvação. O testemunho das
Escrituras é que, devido ao pecado, o nosso relacionamento com
Deus, conosco mesmos, com o próximo e com a criação, foi
rompido. Através do sacrifício de Cristo na cruz, foi possível
refazer este relacionamento.
Onde a Igreja tem sido fiel a este chamado, tem proclamado
a salvação pessoal, tem sido um canal da cura divina aos
necessitados físicos e emocionais, tem procurado justiça para os
oprimidos e abandonados.
Como evangélicos, desculpamo-nos por nossa frequente
falha em refletir esta visão holística da salvação. Assim,
chamamos a Igreja a participar dessa atividade salvadora de Deus
através da prática e da oração, lutando por justiça e
liberdade aos oprimidos, sem perder de vista a salvação no novo
céu e na nova terra escatológicos. Um
apelo à integridade sacramental
Depreciamos a pobreza da visão sacramental entre os
evangélicos. Em grande parte, isso se deve à perda da nossa
continuidade com o ensino de muitos dos pais e reformadores,
resultando na deterioração da vida sacramental em nossas Igrejas.
Também a negligência em refletir sobre o aspecto sacramental
da ação de Deus no mundo nos leva a desconsiderar a santidade da
vida diária.
Conclamamos os evangélicos a tomar consciência das
implicações da criação e da encarnação. Necessitamos
reconhecer que a graça de Deus é medida através da fé, por
obra do Espírito Santo, de um modo extraordinário nos sacramentos
do batismo e da ceia do Senhor. Aqui a igreja proclama, celebra e
participa da morte e da ressurreição de Cristo, de modo a
alimentar seus membros em suas vidas em antecipação e comunicação
do seu reino. Um apelo à espiritualidade
Nós sofremos de uma negligência de espiritualidade autêntica
por um lado e um excesso de espiritualidade indisciplinada por
outro lado. Temos com frequência procurado uma religiosidade
sobre-humana, quando o modelo bíblico nos fala de uma verdadeira
humanidade liberta da escravidão do pecado e renovada pelo poder
do Espírito Santo.
Conclamamos os evangélicos à busca de uma espiritualidade
que encarne todo o conteúdo redentor de Cristo: libertação da
culpa, do poder do pecado e vida nova através da ação do Espírito
Santo. Afirmamos a centralidade da palavra de Deus como meio pelo
qual seu Espírito age para renovar a Igreja quer como corpo quer
individualmente na vida dos crentes.
A verdadeira espiritualidade se identifica com o sofrimento
do mundo e o cultivo da piedade pessoal.
Precisamos redescobrir as fontes devocionais da Igreja,
incluindo as tradições evangélicas da piedade e do puritanismo.
Conclamamos os evangélicos a uma
prática devocional que aprofunde a nossa relação com Cristo e
com outros cristãos.
Entre essas fontes, estão disciplinas espirituais como oração,
meditação, silêncio, jejum e estudo bíblico. Um
apelo à autoridade da Igreja
Lamentamos nossa desobediência ao senhorio de Cristo
como expresso na autoridade que ele tem dado à sua Igreja. Isto
tem promovido um espírito de autonomia nas pessoas e grupos que
resulta em isolacionismo, competição e anarquia dentro do corpo
de Cristo. Lamentamos essa ausência de autoridade eclesiástica
que possibilita o surgimento tanto de lideranças legalistas por
um lado, como, de outro, a indisciplina.
Todos os cristãos estão em submissão uns aos outros,
subordinados coletivamente a uma liderança constituída, que por
sua vez está submetida a Cristo. A Igreja, como povo de Deus, é
a presença de Cristo no mundo. Cada cristão deve ser ativo no
culto e no serviço através do exercício de dons e ministérios.
Na Igreja, estamos em união vital com Cristo e com o próximo.
Isto evidencia uma comunidade com profundo envolvimento e
compromisso de tempo, energias e bens.
Além disso, a disciplina na Igreja está baseada na Bíblia
e sob a direção do Espírito Santo. Isto é essencial para o
bem-estar e o ministério do povo de Deus. Um apelo à unidade da Igreja
Lamentamos o isolamento escandaloso e a separação entre
os cristãos. Acreditamos que tal divisão é contrária ao desejo
de Cristo para que sejamos um a fim de que o mundo creia em nosso
testemunho. O evangelicalismo também é historicamente
caracterizado por um uma mentalidade sectária. Falhamos em não
assumir a catolicidade do cristianismo histórico, como também a
amplitude da revelação bíblica. Chicago, maio de 1977. |